Atualizado: 12th Apr 2023 Leitura: 4 minutos

A Netflix era um bom monopólio

Calma...

O que Netflix, iTunes, Steam e Spotify têm em comum? Todos alcançaram sucesso astronômico, e do mesmo jeito. Eles tornaram mais conveniente pagar por conteúdo do que piratear.

Lembra da Blockbuster? Foi um divisor de águas, nos permitindo experienciar a mídia em casa em nossos próprios termos. Antes disso, estávamos à mercê dos horários dos filmes e programação de TV, a menos que você quisesse comprar cada mídia. A Blockbuster oferecia liberdade, embora limitada, a preços acessíveis.

Então veio a internet, prometendo ainda mais liberdade e conveniência. A Blockbuster perdeu o bonde, mas a Netflix não. Por uma taxa mensal fixa, acesso instantâneo e ilimitado a milhares de filmes e series, tudo do seu sofá. Poderia finalmente pular a ida à Blockbuster e pagar ainda menos. Não é à toa que a Netflix conquistou o mundo.

O Steam fez o mesmo com os jogos. O iTunes com a música, oferecendo cada uma por 99 centavos. O Spotify então interrompeu o iTunes com seu serviço, eliminando a necessidade de possuir música. A Apple Music e outros tentam copiar o modelo do Spotify desde então, com sucesso variável.

“A pirataria é quase sempre um problema de serviço e não de preço. Se um pirata oferece um produto em qualquer lugar do mundo, 24 horas por dia, 7 dias por semana, que pode ser comprado na conveniência do seu computador pessoal, e o provedor legal diz que o produto está bloqueado por região, chegará ao seu país 3 meses após seu lançamento nos EUA e só pode ser comprado em uma loja física, então o serviço do pirata é mais valioso para o cliente, e é por isso que as pessoas compram lá.” Tim Sweeney

A conveniência venceu. Os consumidores escolheram com suas carteiras. So que ai as guerras de streaming aconteceram. Os detentores de direitos autorais, querendo uma fatia maior do bolo, retiraram seu conteúdo da Netflix para lançar seus próprios serviços. A Netflix começou a perder assinantes e reagiu aumentando os preços e introduzindo anúncios. Enquanto isso, os concorrentes lutavam para equilibrar as contas, levando a aumentos de preços também.

Estamos de volta aos dias da TV a cabo, fazendo malabarismos com várias assinaturas para conteúdo diferente. Chega de “Netflix and chill” por US$ 7,99 por mês. E assim como aconteceu com a TV a cabo, a pirataria está voltando. A competição não deveria reduzir os preços e promover a inovação? O que deu errado aqui?

“A conveniência é rei.”

O Paradoxo da Conveniência

O mundo não é preto e branco. Às vezes, duas ideias contraditórias podem ser verdadeiras. No caso da Netflix, o mercado era melhor para os consumidores quando era um monopólio. Ao contrário do Spotify, os concorrentes não oferecem o mesmo conteúdo. Essa bifurcação de conteúdo é o que prejudicou o consumidor.

Vimos isso nos jogos também. Teve um tempo em que cada empresa tinha seu próprio inicializador de jogos, além do Steam, GoG e Epic. Hoje, estão colocando seus jogos de volta no Steam. Devem ter sentido a queda nas vendas por não serem mais descobertos pelos usuários do Steam.

Esta é uma questão muito complexa, mas a principal conclusão é esta: os monopólios nem sempre são ruins. A Netflix serve como um conto de advertência sobre a interrupção de um monopólio benéfico. Destaca a importância de considerar a conveniência e a acessibilidade ao avaliar a concorrência no mercado. Não devemos permitir que nossa raiva do capitalismo nos torne precipitados, para que não nos custe o YouTube. Como perdemos a Netflix.

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